R. Bassani
Técnica: Mista s/ eucatex
Medida: 0,72 X 0,63 cm
Como pintei lendas, me basiei na história então nada melhor do
que conhecer a lenda para entender o quadro.
O Boto
Quem viaja pelo interior de qualquer estado da Amazônia já ouviu
falar da lenda de um belo rapaz desconhecido, de roupas brancas,
sapatos brancos e o característico chapéu branco que busca encobrir
parte do rosto e o buraco que traz no alto da cabeça: é o
boto!
Nas festas ou à beira de trapiches, sempre haverá, segundo a
crendice popular, um boto a espreitar alguma moça ingênua e, de
preferência, virgem ou menstruada. Alguns descrevem até o andar da
visagem: dizem que é meio desajeitado e que muitas vezes
locomove-se com certa dificuldade pelo pouco hábito em terra firme.
Outros já o descrevem como alguém muito alinhado, porém calado
demais para os costumes da região. Por isso, logo se desconfia de
que é algo sinistro.
No entanto, para as moças novas que porventura estejam a olhar
alguma festa de interior, nada de estranho o boto lhe parece. Muito
pelo contrário! A paixão é à primeira vista! Quando se dão conta já
foram conquistadas.
Contam os caboclos que depois que o Boto consegue o que quer, ou
seja, conquistar a moça escolhida, sai na carreira e se joga no
primeiro braço de rio ou igarapé. Nessa hora é que todos se dão
conta de que não era um rapaz qualquer, mas o boto!


